Interrupção de chamada

Texto e fotos Flávio Silveira

Pense em um Jeep Compass elétrico. Não estou falando do visual ou da qualidade percebida, nada disso. Só do preço. Agora pense que, pelo valor deste mesmo SUV flex, o mais vendido do mercado, você já pode comprar um modelo elétrico de mesma categoria e tamanho. Sim, o Seres 3, da marca sino-americana que nasceu para atacar nada menos que a poderosa Tesla, chega à “guerra dos elétricos” com um design um tanto genérico e sem personalidade, é verdade, mas com muitas qualidades.

Para começar, a cabine é sóbria e o acabamento agrada, embora misture materiais nobres e plásticos simples. Para uma marca de luxo, teria problemas; para uma generalista, pode ser considerada luxuosa.

O espaço é apenas adequado para quatro adultos (como no Compass e no Corolla Cross, de entre-eixos similar) e o porta-malas tem só 318 litros – mas é condizente com sua proposta urbana (e traz um estepe de verdade, algo raro em elétricos).

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Na lista de equipamentosfaltam retrovisor interno antiofuscante e faróis de LED, mas há:
• freio de mão eletrônico,
• monitor de ponto cego,
• alerta de permanência em faixa,
• frenagem autônoma,
• teto panorâmico,
• carregador sem fio,
• auxílio em descidas,
• e câmera que grava tudo adiante,
• além de multimídia de 10,25” com hotspot, Android Auto (por cabo) e Apple CarPlay (sem fio).

Em uma semana com o Seres 3, gostamos muito do cluster digital, com um ótimo indicador de uso e recuperação de energia e opções de interface que lembram as dos Volks, BMW e Honda.

Destaque para a usabilidade geral: diferentemente de outros modelos atuais, o Seres 3 não deixa o motorista refém de telas – todos os comandos podem ser feitos também por botões físicos, mais rápidos e fáceis.

A cabine com saídas de ar circulares como nos Audi e, junto ao comando giratório do câmbio, uma série de comandos com botões físicos evita que o motorista fique refém das telas e acabe se distaindo da condução
O assoalho traseiro é quase plano, e o espaço para as pernas do ocupantes é muito bom, similar ao que se encontra no Volkswagen T-Cross 

Dirigibilidade

• Apesar de faltar um ajuste de profundidade do volante – apenas em parte compensado pelo banco com amplos ajustes elétricos – e a alavanca de câmbio giratória causar certa confusão (teve marca que tirou por causar acidentes), uma vez em movimento a condução é muito prazerosa.

• As suspensões são perfeitamente calibradas, priorizando o conforto, e trabalham silenciosamente, além de transmitirem uma solidez ao rodar que faz lembrar de marcas experientes como a Toyota, não de uma “novata”.

• Merecem elogios, também, a direção e freios bem calibrados e a atuação do motor de moderados 163 cv (120 kW), mas excelentes 300 Nm. Em velocidades urbanas, o desempenho é quase de esportivo, com a vantagem, em relação a outros elétricos, de uma entrega bem mais progressiva, como em um bom carro turbo a combustão – e isso é um elogio, pois o Seres não exige adaptação do motorista.

• Há os modos de direção Normal, Sport e Eco (o último deixa o carro fraco, mas poupa bem), e ajustes de recuperação de energia (o mais alto age como leve freio motor, mas nunca se dirige com “um pedal” – o que é incômodo na maioria dos elétricos).

• Em relação à autonomia, ele começou indicando 359 quilômetros. Nós fizemos 5 km/kWh na estrada e 6 na cidade. Nada mau, mas como a bateria é pequena, rodamos 200 quilômetros com 85% em percurso misto, projetando 235 totais (206 no PBEV). Não é um problema, considerando a proposta urbana, mas os rivais oferecem mais.

CONCLUSÃO

No fim, é um elétrico ótimo para uso urbano e viagens curtas. Mas a questão é o preço: ele chegou por R$ 240 mil e baixou para R$ 220 mil, uma pechincha em agosto. Mas, em setembro, o futuro nacional BYD Yuan Plus, mais luxuoso e com alcance maior, baixou R$ 40 mil, indo a R$ 229.900.

A Seres reagiu, e agora o Seres 3 sai por R$ 199.990. É o melhor elétrico para comprar por este valor hoje (o Hyundai Kona é queima de estoque antes de chegar o novo).

Seres 3

Preço básico R$ 199.990
Carro avaliado R$ 199.990

Motor: elétrico, dianteiro, síncrono, ímãs permanentes
Combustível: eletricidade
Potência: 163 cv
Torque: 300 Nm
Câmbio: automático, caixa redutora com relação fixa
Direção: elétrica
Suspensão: MacPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: disco (d/t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,385 m (c),1,850 m (l), 1,650 m (a)
Entre-eixos: 2,655 m
Pneus: 255/55 R 18
Porta-malas: 318 litros
Bateria: ternária de lítio, 52,7 kWh
Peso: 1.700 kg
0-100 km/h: 8s9
Velocidade máxima: 160 km/h
Consumo na cidade: 5,9 km/kWH (teste)
Consumo na estrada: 4,9 km/kWh (teste)
Emissão de CO2 zerog/km
Consumo Nota A
Autonomia: 206 (PBEV-Inmetro)
Recarga: AC 6,6 kW (8h) / DC 50 kW (30 min, 20 a 80%)
Nota do Inmetro: A
Classificação na categoria: A (SUV Grande)

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