Interrupção de chamada

Texto Marco Pascali
Tradução Flávio Silveira

Lamborghini Revuelto deve estar entre os carros mais rápidos que dirigi em toda a minha carreira de jornalista automotivo. E ele é assim por natureza (há sempre muita aderência, por causa da tração integral), por instinto (tem um V12 híbrido, com potência combinada de 1.015 cv) e por sagacidade (se alguém ainda tiver dúvidas sobre o potencial da eletrônica, saiba que hoje nada é possível sem ela). A boa notícia que dou aos nostálgicos é que o V12 central está vivo e muito bem, obrigado, assim como os traços estilísticos do modelo que melhor representa as expectativas dos fãs e entusiastas da Lamborghi em todo o mundo:
• portas com abertura pra cima,
• formato de cunha (a principal característica desde 1971 – leia-se desde o mítico Countach).

Não falta aquele ar de quem consegue realmente ir de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos e passar dos 350 km/h.

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O banco do motorista é extremamente bem desenhado – o que garante um contato perfeito e constante entre ele e o corpo –, pedais e volante são perfeitamente posicionados e não faltam compartimentos para telefones e outros objetos que possam sair voando.

A cabine tem uma profusão de telas: além da central – a principal delas, com 8,4”, funcionamento suave e função swipe – há um novo quadro de instrumentos, bem fino e com boas dimensões (12,3”); do lado do passageiro, há outra tela (esta com 9,1”) para manter o “copiloto” informado a respito da dinâmica superdotada do cupê.

São novos os seletores giratórios que definem os modos de condução (Città, Strada, Sport e Corsa) e as formas de operação elétrica (Recharge, Hybrid e Performance); os botões logo acima deles permitem controlar o aerofólio e a distância do solo – quando há obstáculos a superar, o sistema evita raspadas que podem sair caro.

Nardò Technical Center: na parte com o traçado de handling do circuito, testamos em primeira mão os 1.015 cavalos do Revuelto, graças a algumas unidades pré-serie que mostramos aqui: elas são idênticas aos modelos que serão fabricados em série (Crédito:Divulgação)

A bordo

Ao volante, logo fica claro que o superesportivo foi calibrado para permitir a qualquer pessoa usar boa parte do potencial prometido pelos 1.015 cv e pelo novo chassi de carbono (10% mais leve do que o usado no Aventador).

A sensação de agilidade é garantida pela combinação de distribuição correta de peso (44% na dianteira, 56% na traseira), barras estabilizadoras mais rígidas (10% na frente e 50% atrás, na comparação com o Aventador Ultimae) e a esplêndida prontidão que é transmitida pelos motores elétricos assim que você encosta no aceleradorA potência combinada do magnífico V12 somado aos três motores elétricos auxiliares é uma coisa única.

Acima de tudo, pudemos ver em primeira mão como, em um modelo de tração integral bem projetado, o sistema híbrido não apenas não “suja” a dirigibilidade, com repercussões ao volante, mas também faz o carro responder prontamente a qualquer solicitação de energia extra.

O mérito é, em grande parte, da eletrônica de condução deste Lamborghini: seus três motores elétricos – dois na frente, para garantir a tração integral, e o terceiro combinado à transmissão –, fazem milagres nas frenagens para recuperar a energia dissipada (é notável como o sistema de frenagem se mostrou incansável, mesmo depois de diversas voltas na pista).

E não só: ele atua nas tomadas de curva para favorecer a trajetória definida com o volante, e os freios traseiros, nas saídas de curvas, “absorvem” o excesso de potência, libertando o ESP do ônus de cortar a aceleração (o que faz perder tempo).

O motor elétrico, na realidade, usa essa energia para carregar a bateria. Enfim: é mais um carro pensado de um modo exemplar, como costumam fazer os italianos em Sant’Agata Bolognese.

A posição de guiar é ótima e há telas por toda a cabine, todas legíveis. O cluster é “sutil”, com clara inspiração motociclística, assim como as saídas de escape “altas” e o motor V12 exposto. Há um modo dedicado a arrancar queimando pneus (abaixo).

Lamborghini Revuelto

Preço Europa R$ 517.255
Preço Brasil (estimado) R$ 6.000.000

Motores: traseiro, doze cilindros em “V” 6.5, 32V elétrico traseiro + dois elétricos dianteiros (e-axle)
Tipo: híbrido série-paralelo plug-in
Combustível: gasolina + eletricidade
Potência: 825 cv a 9.250 rpm (g) + 299 cv a 3.500 rpm (e-axle dianteiro) + 150 cv a 10.000 rpm (elet. traseiro) = 1.015 cv Torque: 725 Nm a 6.750 (g)
Câmbio: automatizado, dupla embreagem, oito marchas
Direção: elétrica
Suspensões: n/d
Freios: n/d
Tração: integral
Dimensões: 4,95 m (c), 2,03 m (l), 1,16 m (a)
Entre-eixos: 2,78 m
Pneus: n/d
Porta-malas: n/d
Tanque: n/d
Peso: 1.772 kg
0-100 km/h: 2s5
Vel. máxima: mais de 350 km/h
Consumo: n/d
Nota do Inmetro: n/d

(Divulgação)
(Divulgação)
(Divulgação)

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